domingo, 17 de janeiro de 2016

Em branco

Não espero abrigo
Do frio, do vento e da chuva.
Continuo a sentar ao lado do rio
Contando os pedaços de gelo
Acumulados às margens
Que transformam toda paisagem
Em branco.

E sem perceber a mudança,
Não há mais distância no horizonte.
A névoa já abraça toda cena
E as gotas da chuva não pesam mais.
Somente voam pousando na ponta do nariz
Transformando o que sobrou de mim
Em branco.

Aqui percebo que a minha vida
É como a névoa gelada que toma tudo por completo
É como o rio imóvel sem reflexo no inverno
É como essa neve fina, substancial
Que anseio de agarrar
Sentir sua delicadeza na palma da mão
Mas que, como sempre, perco a vontade
É fria demais,
A vida é fria demais...

E assim sigo,
Calmo e condescente,
Inerte,
A assistir
À névoa, ao rio, à neve... e à vida
Passando...
Em branco.

2 comentários:

Luísa Gutman disse...

Mesmo quando você vê sua vida como um grande branco, eu preciso te dizer...
Você é branco luz.
Branco que tem em si todas as outras cores.
Você, meu amado amado amigo, é branco luz, sim, que me tira dos lugares sombrios sem nem saber que eu estava lá, no escuro. E você brilha, mesmo que agora o gelo que nos cobre congele e ofusque.

Você e a sua vida podem estar sem as cores e os contrastes de que tanto gostamos e com os quais tanto sonhamos, mas depois do inverno chega a primavera que, como um prisma, nos permite ver todo um mundo de cores que se escondeu, embaixo das geladas camadas de branco.

Gabriela disse...

Que o céu azul chegue logo. Por enquanto, não valem mais os sonhos de nuvens coloridas e de tinta esparramada nesse gelo?