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domingo, 17 de janeiro de 2016

Em branco

Não espero abrigo
Do frio, do vento e da chuva.
Continuo a sentar ao lado do rio
Contando os pedaços de gelo
Acumulados às margens
Que transformam toda paisagem
Em branco.

E sem perceber a mudança,
Não há mais distância no horizonte.
A névoa já abraça toda cena
E as gotas da chuva não pesam mais.
Somente voam pousando na ponta do nariz
Transformando o que sobrou de mim
Em branco.

Aqui percebo que a minha vida
É como a névoa gelada que toma tudo por completo
É como o rio imóvel sem reflexo no inverno
É como essa neve fina, substancial
Que anseio de agarrar
Sentir sua delicadeza na palma da mão
Mas que, como sempre, perco a vontade
É fria demais,
A vida é fria demais...

E assim sigo,
Calmo e condescente,
Inerte,
A assistir
À névoa, ao rio, à neve... e à vida
Passando...
Em branco.

quinta-feira, 23 de julho de 2015

Iris

Once I was told
Ironically romantic love is the love that can never be
Losing the waves of your singing voice
And how they make me feel like dancing
Even without moving
Like in "One Art"
Might look like disaster
But how can it be too hard to master?
Eventually you returned to your island
While mine has become empty... free?
But isn't how it's supposed to be?
Isn't human nature at some discussion
To trade Liberty for Redemption?
Nothing else will be as sour sweet as a key lime pie bites
Nor the Arc at the Washington Square will ever be as bright
Not even the flowers of Iris as colorful as the magenta skies
It only remais this Bitter End taste of this neverending cold summer night

segunda-feira, 5 de agosto de 2013

Muito amor

- Pois é, cara... a vida louca faz falta... Eu sinto falta...
- Nossa... eu também sinto, cara... Eu tenho muito amor pra dar... Eu sou carinhoso com todas!
- Hahaha! Parece engraçado, mas eu sei que não é! Por isso, eu falo que meu coração é grande demais pra uma mulher só!
- Tá vendo... você me entende!
- Entendo. E é puro! Não é por mal!
- E tem gente que chama a gente de sacana, etc.
- É sentimento genuíno, eu sei!
- Esses dias mesmo, eu estava muito apaixonado, cara... mas como já estou com uma, tive que matar um sentimento bom... Isso é mal!
- "Tive que matar um sentimento bom"... que bonito isso... eu te entendo perfeitamente.
- Mulheres... elas não sabem entender as coisas...

sexta-feira, 9 de março de 2012

Nova Iorque

É inverno na fria cidade de Nova Iorque. E não é só porque é inverno que é inverno. É inverno porque é sempre inverno, mesmo quando é verão. É inverno porque apesar de nem sempre as pessoas estarem com pressa, as pessoas estão sozinhas. E elas estão sozinhas porque a cidade é uma cidade passageira... é onde todos passam, mas ninguém fica. Nova Iorque é a cidade dos negócios, a cidade do dinheiro. Mais do que a Capital do Mundo, Nova Iorque é o Mundo do Capital. E, sendo assim, Nova Iorque fecha as pessoas. Todas as pessoas, não só descendentes de todo o mundo, mas as pessoas de todo o mundo. Fecha como tudo se fecha após as quatro da manhã... na cidade que "nunca" dorme.
É um desperdício... chega a ser uma pena. Porque a cidade é realmente linda, com todas as suas luzes e edifícios, com a água que a cerca pelos quatro cantos, com as selvas naturais dos parques que se perdem na selva artificial de concreto, com seus lugares pequeninos e aconchegantes e infinitos...
E fico imaginando como seria diferente o passeio pela rua 42 ou pelo Battery Park se a moça que me conheceu ainda de cabelos longos estivesse aqui. A moça que escreveu tanto da minha história... fico imaginando as viagens, que sempre foram tão boas em outras estradas, sendo aqui também, pelo vermelho das árvores e pelas casas dos alpes. Imaginando o rádio alto tocando música boa só para nós... imaginando eu parando para comprar flores da mulher que sempre somente cumprimento nas voltas do trabalho.
E acho que seria verão mesmo no inverno. E a fria cidade de Nova Iorque, dancing, não mais dormiria...

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Encontros

A situação é diferente... Hoje, o momento é outro.
Moça, eu não só preciso como também quero, do fundo do meu coração, dizer que
Amo você completamente, sem sombras, sem dúvidas.
Não me importaria de gritar à multidão, de mandar mensagens em garrafas ao mar,
De responder "agora" para as perguntas mais embaraçosas ou de ser tachado de louco
Ainda que silenciosamente, aqui no meu canto, na minha solidão.

Eu ainda acredito, sim, em amores à primeira vista.
Um mundo sem reencontros seria um mundo sem chances.
Acho, no entanto, que eu era cego para enxergar somente isso.
Mas, hoje, também acredito num mundo onde tudo tem um começo,
Onde tudo tem sua primeira vez. E, a partir daí,
Você constrói. Constrói para que os reencontros façam sentido.
O que me fez perceber porque, no fundo, não parei de ter essa certeza:
Certeza de que sempre quis você por perto. E de que o tempo ainda existe.
E a distância que hoje é insuportável será o reencontro mais apaixonante do amanhã.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Luz

Quando foi que me perdi
Se é que me perdi?
Ou nunca me tive?
Talvez a vida seja como perguntas
E talvez as respostas sejam como a morte:
Quando as encontrar
Não voltarei para contar.
Não quero desperdiçar mais perguntas
Nem quero ganhar mais uma luz
Ao invés de obter as respostas.
Uma grande luz
Quando ilumina somente por baixo
Torna nossas sombras maiores do que nós.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

domingo, 25 de dezembro de 2011

Livre-arbítrio

Somos escravos dos nossos próprios corações, dos nossos próprios sentimentos.
E se ainda tivermos o discernimento para nos separarmos deles,
Seremos escravos de nossas próprias mentes.
E mesmo assim, se tentarmos, tentarmos, tentarmos...
Se nos separarmos das nossas próprias idéias,
Seremos escravos da loucura, da insanidade, do nosso próprio livre-arbítrio.
Tornaremo-nos escravos dos outros.
Ter lívre-arbítrio não é ter liberdade para fazer o que queremos,
Ter livre-arbítrio é não ter liberdade nenhuma.
Se é que a palavra liberdade pode realmente ser sentida ou vivida ou pensada.
A liberdade já começa presa na sua própria definição.
E se no ápice da insanidade tentarmos alcançá-la, alcançaremos somente a morte.
Porque nada pode ser livre completamente
Nem na vida cuja única certeza é a morte
Nem na morte cuja única liberdade é a vida.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Resolução

Há muito pensei em abandonar
O verso e a prosa e o romance e os contos,
Há muito que eu não escrevia
E nem tinha vontade.
Mentira.
Eu tinha.
Só achei que não podia.
E se eu não podia, eu não escrevia.
Acontece que fui fadado a ser contente.
A alegria pirilimpimpim...
E a felicidade lariradirá...
Mas a verdade é que sou triste.
Simples assim. Pronto.
Ponto.
Falei.
E me sinto melhor. Sou triste.
Sou triste e não sou poeta.
Ainda que fosse não seria.
E, pelo amor de Deus, se é que Deus existe,
Se não sou poeta, pelo menos deixe-me ser triste.
Fernando e Cecília eram. Eram poetas.
Então deixe-me igualar a eles pelo menos na tristeza.
Porque assim, mesmo que não poeta, pelo menos poderei escrever.
Porque - e repare na deselegante ironia - é possível
Cantar a alegria cantando-se um fado?
Já que mais cedo ou mais tarde morreria de morte morrida,
Calado,
Com nós na garganda e papas na língua,
Preferi morrer de morte matada: sem fado algum.
O que eu era acreditava em uma continuação e o que sobrou
Acredita que seremos só cinza e pó. E vento. E fumaça. Vulcânica.
Carbono.
Adubo.
Mas... vai que?
E então, nasceria limpo. E talvez fosse feliz...
Porque estaria leve, porque um dia escrevi.
E seria belo. E seria um cravo. E lutaria pela rosa - de novo.
É dos corpos que crescem as flores.
E tudo voltaria à ordem normal. E o fado seria triste
Como nunca deveria ter deixado de ser.

Se um dia...

Se um dia eu tiver tremeliques
Vou culpar o fogo que aqui queimava
Os músculos e olhos e ouvidos e cabelos
E sentidos à flor da pele

E vão pensar que é frio
Que é suadouro, que é doença
Toque, tique, mania, loucura... tremelique...

Se um dia eu ficar surdo
Vou culpar as notas que aqui cantavam
A melancolia e a solidão e o desespero e o lamento
E os berros das já emudecidas cordas vocais

E vão pensar que é idade
Que é velhice, que é cera
Desgosto, desastre, chiado, volume... surdez...

Mas se um dia eu ficar cego
Vou culpar você que sempre ali esteve
E não vinha e não falava e não mostrava e não olhava
E não amava

E vão pensar que é catarata
Que é normal, que é deficiência
Beleza, ironia, negação, inconformismo,
Desistência, abandono, cansaço, amor... cegueira...

Dizem que os olhos são as janelas da alma.
Então a cegueira é as cortinas da esperança.

terça-feira, 19 de julho de 2011

Quem sabe?

Difícil mesmo é saber que existem
os que acreditam na mentira
e os que não acreditam na verdade.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

Carta a um amigo

Eu sei que há muito tempo não o vejo e que há muito tempo não tenho suas notícias.
Gostaria de pedir desculpas por estas palavras que lhe devo, mas a culpa é sua.
Não, isso não é uma acusação. É somente um desabafo por você fazer tanta falta.
Sinto falta das risadas, das piadas com sentido e sem sentido,
Das piadas com sentido e sem graça e das piadas sem sentido que caíamos no chão de tanto rir,
Dos papos sobre as mulheres, sobre os sentimentos,
Sobre a profundidade da alma e a amplitude das filosofias.
Sinto falta de falar sobre os filmes que você tanto me contava, sobre as músicas que eu conhecia,
Dos livros, das artes, da cultura...
Lembro das coisas que só podia aprender com você e constato que hoje já não aprendo mais nada disso.
Sinto falta da sua alegria mesmo na busca por respostas que deixavam você olhando inerte para o nada... e dos poemas...
E hoje, percebo que você se apagou. Ou o apagaram. Por quê?
Na saudade, busquei pelos seus textos, suas referências, mas não sobrou mais nada.
Todos na vida já se arrependeram, mas apagar o passado não nos faz outra pessoa
Nem aos nossos olhos nem aos olhos dos que nos querem e muito menos ao olhos dos que não nos querem
Por sorte, eu ainda os tinha. Por uma falha ou por destino, só não sei ao certo.
Só sei que fiquei feliz ao relê-los porque pra mim, não somos o agora ou fomos o ontem ou seremos o amanhã.
Pra mim existimos, somos. Somos essência.
Por mais que você não siga mais algo hoje, ao lembrar, você se identifica. Com o sim ou com o não. E nostalgia-se. Essência.
E espero que nos encontremos em breve. Espero que você me responda, que esteja perto que ainda acredite no mundo, nas pessoas...
E que saiba que ainda tem um amigo.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

Chuva

A temperatura já estava mais amena no fim da tarde
Quando, deitado no chão, contemplava o céu
Nem tão azul, mas já não tão limpo,
Me perdendo por entre memórias
Das quais ainda gostaria de viver,
Das quais ainda vivo.
E o céu, parecendo saber de mim, escureceu.
E eu me vi nele
Ao mesmo tempo que agarrava minhas queridas lembranças.
E então caiu o primeiro pingo. Só o primeiro.
Suficiente para me fazer esquecer a tristeza
Onde me encontrava por pelo menos um segundo!
Mas memória que é memória,
É insistente, sempre volta.
E a minha já estava lá,
Tão para mim como eu ainda a queria.
E veio o segundo pingo.
E a memória partiu e chegou...
E o terceiro, só que mais rápido. E o quarto.
A memória já não voltava mais
Enquanto eu perdia a conta.
O quinto, o sexto... e todos já eram um.
Continuei deitado com os olhos fechados
Ouvindo o que não era mais um estalo do gotejar,
O que se tornava o chiado das águas que corriam
Sem me deixar lembrar de nada,
Que borravam meus pensamentos
Com sua fina, distorcida e transparente película.
Melancolia que é melancolia não se vai,
Mas alívio que é alívio chega.
E agora eu só desejo a chuva...

terça-feira, 14 de julho de 2009

Amei

Eu te amei com a arrogância dos adolescentes
Que não entendem nada sobre a vida e pensam
Poder carregar sozinhos a dor de quem se
Ama, felizes somente por ser suporte.

Eu te amei com o desespero dos corações
Que palpitam sempre como na primeira vez,
Fervilhando o sangue, transformando sorriso
E lágrimas em uma única expressão.

Te amei com o amor que, quando se deu por conta,
Já era, que jamais nasceu nem nunca vai morrer
Que só foi notado, já grande de existência,

Não construído para não virar muralha.
Te amei com o brilho que outros amores não tem,
Com a força dos amores à primeira vista.

sábado, 27 de junho de 2009

Liberdade

Ele sonhava em ser livre, independente
Estudou, trabalhou
Comendo o pão que o diabo amassou
Conquistou tudo o que queria
Conhecimento, amadurecimento
Posses
Companheiros, amigos
Sócios... dinheiro!
Ficou tão bom no que fazia
Fazia tão rápido e tão bem
Que começou a sobrar tempo
E foi percebendo que
Nada daquilo era mais relevante
Única e exclusivamente
O que importava era sua independência
Já não precisava mais da casa dos seus sonhos
Porque podia morar onde quisesse
Nem de seu carro
Porque podia comprar qualquer outro
No momento que desejasse
Já tinha tanto
Que nem precisava mais ganhar dinheiro
Então, começou a ser independente das pessoas
De quem o ajudou a crescer
Dos amigos, de quem o amava
Ficou tão obcecado pela liberdade
Que queria ser independente até mesmo dela
Sua busca o fez se livrar de tudo
De seus próprios sentimentos
E, de tão independente
Sobrou somente o vazio
Sua decepção foi tão grande que
Sua insanidade assumiu seu total controle
Confundiu vazio e morte e...
...se aprisionou

sexta-feira, 15 de maio de 2009

Você

Se eu pudesse escolher um lugar,
Seria um mirante
E se pudesse escolher a vista,
Seriam as luzes distantes da nossa cidade à noite
Se um som,
Uma música que se tornasse só nossa
Se um gesto,
Um abraço
Então, eu poderia eternizar esse momento,
Mas somente se eu já não tiver mais direito de escolher ninguém
Por já me ser intrínseco: você.

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Heterônimo de mim mesmo

Sou heterônimo de mim mesmo
Uma personalidade
Um astro jogador de palavras
Que ganha sua atenção

Consigo o credo na minha felicidade
Por mais vazio que meu interior seja
E toco os que se identificam
Com a minha tristeza
Por acharem impossível
Construir uma mentira
Sobre bases de uma atuação
Com tamanha sutileza

Sou o fingidor
Que finge a dor que deveras sente
O eu lírico
Da minha propria existência
O ator da minha própria vida,
O professor da dramaturgia
De diversas interpretações

Sou heterônimo de mim mesmo
O eu camuflado de eu
O segundo dono de um só ego
A máscara do meu verdadeiro ser
Que só não esconde
A intenção de cutucar a alma
Daquele que é o pior cego
Aquele que não quer ver

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Esperança

A esperança é inerte à alma,
Uma busca incessante
Até que acabe o mundo,
Que acabe os tempos,
Que acabe a própria esperança.

Pode ser o fim mais trágico
Se morrer antes dele
E pode ser o fim mais bonito
Se não houver fim.

Presa por só um fio
Que se arrebenta numa ponta
E que se remenda numa outra
É essa luta tão árdua,
Tão miserável...
Digna de milagres divinos
Em somente um humano,
De amores tão humanos
Que põem em dúvida o poder dos deuses,
Da fraqueza mais animal,
Da desgraça eterna...
É a que faz mergulhar na incerteza,
Se render ao vazio.

Mas ainda assim,
Passa por cima da dor,
Desafia cada último sacrifício...
Então,
Como não me mover,
Como deixar de amar,
Como parar de acreditar,
Como viver,
Se pelo o que vivo,
Se no que acredito,
Se o que amo,
Se o que me move
É você?

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Parece que chega um momento
Que tudo que nos compõe é destruído
Um momento que não permite mais crescimento
Uma peculiaridade que, quando percebemos,
Acaba com algo e se torna incontrolável
Consome tudo
Sentimentos, pensamentos, momentos e vida e alma
Levamos tanto tempo amando pessoas
E deixamos de amar de uma hora pra outra
Uma a uma...
Desumanizamos, monstrificamos
Pego-me imaginando
Na minha ainda mal-aproveitada juventude
Ao observar tudo escorregar pelos dedos de minha mão
Se atingi esse ápice em tão pouco tempo...
E se tenho tanto ainda pra viver
O que será de mim quando estiver velhinho?
Não amarei mais como adolescente?
Incoseqüentemente, eternamente?
Será um vazio enorme? Restarão só lágrimas?
Não haverá mais aquilo que um dia foi tão forte
Somente sensações esvaecidas para o resto da minha vida?
Se for isso mesmo,
Como explicar o nostálgico sentimento,
O olhar fixo num horizonte perdido,
No passado que não volta mais?
Como explicar a dor tão humana que rasga por dentro
Pela intensidade do que se sentia,
Pela falta do que já não se sente?
E como explicar as lágrimas
Pelo bem-traçado caminho do rosto de um velho
Ao sentir falta dos seus amores deixados pra trás,
Na sua longínqua juventude?
Olhar que também já se foi... que não volta mais...
...que não volta mais...

sexta-feira, 8 de agosto de 2008

08-08-08

O dia que era pra ser
Tinha tudo pra que fosse
Não foi porque não passou
Continua não sendo
E nem mais será
Porque não pode mais ser...